Tanzânia: Safári no Serengeti
Pode confessar! Tenho certeza de que entre os seus sonhos dourados a serem realizados antes de esticar as suas canelinhas, se acha firmemente instalado fazer um safári no Serengeti. É um sonho dourado de nove entre dez pessoas que gostam de viajar. E se você gosta de viajar e não quer ir ao Serengeti, procure rápido um psiquiatra! Você certamente não está batendo bem da caçoleta!!!
Tive o privilégio de realizar esse meu sonho dourado em novembro de 2016 e ainda estou em estado de êxtase!
Foram dez dias de viagem, sendo o primeiro e o último contados apenas como deslocamento. Os demais foram dias de emoção em estado puro! Além do Serengeti, visitamos, também, os parques nacionais de Tarangire, Lake Maniara e a cratera de Ngorongoro, outro sonho que vivia no meu imaginário.
Devo ressaltar a incrível infraestrutura existente nos parques, assim como a da própria empresa tanzaniana de turismo, algo que não encontramos em similares nacionais, sem falar no profissionalismo de primeiríssimo mundo! É triste reconhecer, mas a Tanzânia, nesse quesito, está há uns cinquenta anos na frente do Brasil! Só para exemplificar, a Easy Travel, nossa operadora (e que não é a maior da Tanzânia), possui “apenas” 35 jipes Toyota 4×4 em sua frota. Conhece algo semelhante por essas bandas?!
A reação dos animais do Serengeti aos visitantes
Outra coisa que me impressionou foi a reação dos animais à presença humana. Reação ZERO! Eles são completamente indiferentes à nossa “existência”! Afinal, não representamos para eles nem perigo, nem algo que possam se alimentar. E, como os jipes aparecem na frente deles “trocentas” vezes por dia, já estão pra lá de acostumados.
No congestionamento da foto acima, o leopardo caminhou placidamente em direção aos carros, bebeu água em uma poça no meio daquela muvuca e continuou seu caminho até uma árvore próxima, onde nos brindou com o belo salto da foto abaixo!
Primeiro dia de safári
A excitação do primeiro dia de safári, em Tarangire, foi algo indescritível! Manja criança na frente de um pote de balas, que quer pegar todas com medo da festa acabar?! Foi mais ou menos como me senti!
Via um animal, mesmo distante, e já queria fotografar. Mal conseguia focar e fazer os ajustes necessários de tanta ansiedade! Aos poucos vai baixando o nível de adrenalina e vai percebendo que o “pote de balas” é inesgotável. Percebe que não precisa fotografar TUDO e que as oportunidades são muito maiores que jamais teria pensado um dia em ter.
Girafas, leões, zebras, antílopes, águias, babuínos, elefantes, leopardos, búfalos, gazelas, servais, flamingos, hienas, mangustos, pelicanos, abutres, hipopótamos, lagartos, macacos, guepardos, gnus, pássaros dos mais diversos… a lista é grande e para todos os gostos! Se ficou uma frustração, foi não conseguir ver um rinoceronte.
Dicas de lentes e configurações
Apesar dos jipes estarem proibidos de sair das estradas demarcadas, você nunca estará longe demais de um animal. Para quem fotografa, uma lente 100-400mm, como a que levei, é mais que suficiente na maioria dos casos. Levei também um conversor 2x, mas não fiquei satisfeito com os resultados obtidos. Nosso fotógrafo líder levou uma lente 600mm, mas a informação que recebemos é a de que acima de 400mm a lente PODE receber uma sobretaxa por parte das autoridades. Pode, do verbo “não aconteceu”! Pelo menos nesse caso.
Como dica, use um ISO um pouco mais elevado (tipo 400), uma abertura entre f8 e f13, foco manual e busque ter sempre uma velocidade superior à distância focal que estiver usando. Exemplo: se a distância focal for 250mm, a velocidade tem que ser 1/250 segundos ou ainda mais rápida. Caso contrário você vai ter muita foto tremida.
Ah, deixe o obturador no modo burst e se prepare para sentar o dedo no gatilho cada vez que o animal “piscar”!
Senta o dedo!
Para mim, não há nada mais entediante que um jogo de beisebol! Você fica ali esperando, esperando e não acontece absolutamente nada. Aí você olha pro lado e tudo acontece em segundos. Na vida animal é algo semelhante. Não tire o olho do bicho, tenha paciência e aguarde o momento certo. Mexeu? Senta o dedo no gatilho, mas de leve pra não entupir o buffer da câmera. Vão ser centenas de fotos iguaizinhas que você vai ter que jogar fora no fim do dia. Pode levar uma batelada de cartões de memória extras, pois vai precisar.
Certamente, um safári fotográfico na África não é uma viagem barata como para Orlando e Miami. Mas tenha certeza de que vale cada centavo que você pagar. Voltei com aquele gostinho de “foi pouco e quero mais”. Assim que puder, retornarei. Vamos juntos?!
Muitas das imagens dessa viagem podem ser vistas no portfólio sobre a Tanzânia neste site.



