Meus mestres: Ansel Adams
Todo fotógrafo, na busca de seu estilo pessoal, inspira-se em grandes mestres da fotografia. É na análise detalhada de suas fotos que vamos aprimorando o nosso olhar fotográfico e melhorando nossa técnica. Também tenho os meus ídolos! Quero homenagear o maior inspirador de meu trabalho nessa série que se inicia: o fotógrafo norte-americano Ansel Adams.
Não fazemos uma foto apenas com uma câmera; ao ato de fotografar trazemos todos os livros que lemos, os filmes que vimos, a música que ouvimos, as pessoas que amamos.
Ansel Adams
Ansel Adams foi um dos grandes mestres da fotografia do Século XX. Principalmente, é famoso pelos magistrais registros, em preto-e-branco, dos parques nacionais americanos, em especial em Yosemite e Sierra Nevada. Perfeccionista, Ansel Adams foi importante inovador técnico, tornando-se um dos responsáveis pela aceitação da fotografia como forma de arte. Igualmente, foi um ativo e aguerrido ambientalista, lutando pela implementação dos parques nacionais americanos e proteção da natureza.
Quem foi Ansel Adams
Ansel Easton Adams nasceu em São Francisco, Califórnia, em 1902. Em sua primeira viagem às montanhas de Sierra Nevada, no verão de 1916, Adams leva uma câmera Kodak Brownie N°1. Extasiado com a beleza do local, começa a clicar compulsivamente. “Vou acabar falido se continuar a bater fotos nesse ritmo. Já tirei 30!“, escreveu Adams à sua tia. Assim, foi o início de uma paixão pela arte da fotografia que perduraria até sua morte aos 82 anos.
Aos 17 anos, Adams entra para o Sierra Club, grupo conservacionista dedicado a preservar as maravilhas e recursos do mundo natural, permanecendo como membro ativo ao longo de toda sua vida.
Em 1928, o fotógrafo se casa com Virginia Best, filha dos proprietários do Best’s Studio. Virginia herdou o estúdio após a morte de seu pai em 1935. Atualmente, o estúdio é conhecido como Ansel Adams Gallery e permanece como propriedade da família Adams.
Suas primeiras fotos foram publicadas em 1921, mostrando um refinado cuidado e sensibilidade na busca do equilíbrio tonal nas composições. Em 1930, Adams publica seu primeiro livro: Taos Pueblo. No ano seguinte, faz sua primeira exposição individual no renomado museu do Smithsonian Institute, apresentando 60 fotos tiradas na Sierra Nevada. Acima de tudo, foi um retumbante sucesso de público e de crítica.
Em 1944, faz sua primeira exposição formal no Museu de Arte Moderna (MOMA) de Nova Iorque. Aliás, foi no MOMA onde foi apresentada a famosa foto Moonrise over Hernandez, New Mexico.
Preferência pelo preto e branco
Adams não trabalhou exclusivamente em preto e branco, um fato desconhecido por muitos. Ele também experimentou o uso da cor. No entanto, existem duas razões principais por Adams ter preferido o preto e branco. A primeira foi que ele sentiu que a cor pode ser uma distração e poderia, portanto, desviar a atenção de um artista para longe de atingir seu pleno potencial quando tirar uma fotografia.
A segunda razão é o fato de que buscava o controle quase total de todas as variáveis existentes. Ansel Adams não gostava da cor em fotografia, uma vez que não tinha dominado esse elemento. Ele tinha amor pelo controle, assim como ocorria com o preto e branco.
Foram as fotografias preto e branco de Adams e sua defesa persistente da preservação da natureza que ajudaram a expandir o sistema de Parques Nacionais americanos. Então, ele habilmente usou suas obras para promover muitos dos objetivos do Sierra Club e do nascente movimento ambientalista. Porém, sempre insistiu em que, tanto quanto suas fotografias, a beleza vem em primeiro lugar. Realista sobre o desenvolvimento e consequente perda de habitat, o fotógrafo sempre defendeu o crescimento equilibrado.
Moonrise Hernandez, New Mexico, USA, 1941 | © Ansel Adams
Em 1966, foi eleito membro da Academia Americana de Artes e Ciências. Recebeu também o título de Doctor of Arts das universidades de Harvard e de Yale. Em 1980, o presidente Jimmy Carter concedeu-lhe a Medalha Presidencial da Liberdade, a maior honraria civil da nação.
New Church Taos Pueblo, New Mexico, USA, 1929 | © Ansel Adams
Legado de Ansel Adams
Ao longo de sua carreira, Adams publicou mais de 1300 fotos. O valor total dos originais dessas fotos excede 25.000.000 dólares. Além disso, o preço mais alto pago por uma única cópia alcançou 609.600 dólares em um leilão da Sotheby’s de Nova York, em 2006. Suas comoventes imagens ainda são muito populares em calendários, posters e livros.
The Tetons and the Snake River tem a distinção de ser uma das 115 imagens gravadas no Voyager Golden Record da nave espacial Voyager. Estas imagens foram selecionadas para transmitir informações sobre os seres humanos, plantas e animais, e as características geológicas da Terra para uma possível civilização alienígena.
Seu legado inclui ajudar a elevar a fotografia a uma arte comparável com a pintura e a música, igualmente capazes de expressar emoção e beleza. Como lembrou a seus alunos: É fácil tirar uma fotografia, mas é mais difícil fazer uma obra de arte na fotografia do que em qualquer outro meio da arte.
Adams morreu em abril de 1984, em Monterey, Califórnia, aos 82 anos, vítima de um ataque cardíaco.
Existem, sempre, pelo menos duas pessoas em cada fotografia: o fotógrafo e o espectador.
Ansel Adams