Meus mestres: Sebastião Salgado
O fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado é considerado um dos maiores talentos da fotografia mundial não apenas pela beleza das suas imagens, mas também pelo teor social em seu trabalho.
Nasceu em Aimoré, Minas Gerais, em 1944. Único filho do sexo masculino entre nove irmãs, passou parte de sua juventude em Vitória, Espírito Santo.
Quem não gosta de esperar não pode ser fotógrafo!
Sebastião Salgado
Formou-se em Economia em 1968. Foi obrigado a buscar asilo político em Paris, em 1969, devido às perseguições políticas. Assim sendo, completou lá o doutorado em Economia.
Logo depois, voltou para o Brasil. Atuou na Organização Internacional do Café, em 1973, como especialista na fiscalização de plantações africanas. A partir de suas viagens à África, usou primeiramente a fotografia como hobby e depois como profissão.
De volta a Paris, trabalhou como free-lance fazendo reportagens fotográficas para as agências Gamma e Sygma, duas das principais da Europa. Posteriormente, atuou na Magnum. Em 1981, trabalhando como repórter fotográfico do jornal New York Times, foi o único profissional a registrar o atentado ao presidente norte-americano Ronald Reagan. Certamente, o feito deu destaque internacional ao fotógrafo brasileiro.
Sebastião Salgado descobre no trabalho fotográfico a melhor forma de enfrentar os acontecimentos planetários, principalmente em seus aspectos econômicos. É seguindo por este caminho que se transforma em um dos principais e mais venerados fotógrafos da atualidade no campo do fotojornalismo. Surpreendentemente, ele se dedicou a retratar os excluídos e os que se encontram à margem da sociedade desde os primeiros cliques.
Livros publicados
Seu primeiro livro, Outras Américas, sobre os pobres na América Latina, foi publicado em 1986. Na sequência, também em 1986, publicou Sahel: O Homem em Pânico, resultado de uma longa colaboração de doze meses com a ONG Médicos sem Fronteiras cobrindo a seca no Norte da África.
Logo após, entre 1986 e 1992, concentrou-se na documentação do trabalho manual em todo o mundo. Como resultado, o livro Trabalhadores foi um feito monumental que confirmou sua reputação como foto documentarista de primeira linha.
De 1993 a 1999, o fotógrafo voltou sua atenção para o fenômeno global de desalojamento em massa de pessoas. Do mesmo modo, as imagens produzidas resultaram em duas obras em 2000: Êxodos e Retratos de Crianças do Êxodo. Mais uma vez, foram aclamadas internacionalmente logo após o lançamento.
Ele escreveu na introdução de Êxodos: “Mais do que nunca, sinto que a raça humana é somente uma. Há diferenças de cores, línguas, culturas e oportunidades, mas os sentimentos e reações das pessoas são semelhantes. Pessoas fogem das guerras para escapar da morte, migram para melhorar sua sorte, constroem novas vidas em terras estrangeiras, adaptam-se a situações extremas…“.
Os últimos trabalhos, já nos anos 2000, denunciavam os problemas sociais e a miséria nos mais diversos cantos do mundo. Por consequência, levaram o fotógrafo a ter uma profunda descrença no ser humano. Em 2013, após um período de reflexão pessoal, publicou o brilhante trabalho Gênesis, uma espécie de recomeço.
Reconhecimento
Inegavelmente, Sebastião Salgado é internacionalmente reconhecido. Já publicou pelo menos dez livros, bem como recebeu praticamente todos os principais prêmios de fotografia do mundo por seu trabalho artístico e fotojornalístico.
Em 6 de dezembro de 2017, tomou posse da cadeira nº 1, das quatro cadeiras de fotógrafos da Academia de Belas Artes da França.
Sebastião Salgado morreu em 23 de maio de 2025, aos 81 anos de idade, em Paris, França. A causa da morte foi uma leucemia grave, desenvolvida como complicação de uma malária contraída em 2010 durante uma expedição fotográfica na Indonésia.
Com o preto e branco e todas as gamas de cinza, posso me concentrar na densidade das pessoas, suas atitudes, seus olhares, sem que estes sejam parasitados pela cor!
Sebastião Salgado
Fontes: Ebiografia, Infoescola e Wikipedia.
