Meus mestres: Dorothea Lange
Dorothea Lange pode ser considerada uma das melhores fotógrafas de todos os tempos. Seu trabalho fotojornalístico que registrou as vítimas da Grande Depressão americana mostrou ao mundo os rostos e as emoções de tantos afetados por aquele drama.
Sobretudo, o que me encanta no seu trabalho é que suas fotos falam por si só.
Embora exista talvez uma área na qual a fotografia não possa nos dizer nada além do que vemos com nossos próprios olhos, há uma outra na qual ela nos prova o quão pouco nossos olhos nos permitem ver.
Dorothea Lange
Um pouco sobre Dorothea Lange
Dorothea Lange nasceu em 1895, em Hoboken, uma pequena cidade de Nova Jersey, em uma família de imigrantes alemães. Ela passou a se interessar por fotografia logo após o abandono do pai, quando tinha 12 anos.
Aos 17 anos, Lange obteve seu primeiro emprego como assistente do fotógrafo Arnold Genthe. Em seguida, lançou sua carreira como fotógrafa de retratos. Ela montou seu primeiro estúdio no galinheiro de sua casa em Nova Iorque. Mudou-se para São Francisco nos anos posteriores.
Com a Crise de 1929, provocada pela quebra da Bolsa de Nova York, Dorothea deixou de ser uma fotógrafa dos mais privilegiados e passou a fotografar as ruas. Assim, seu talento nato aliado à imensa sensibilidade fotográfica logo chamou atenção.
A câmera é um instrumento que ensina as pessoas a ver sem uma câmera.
Dorothea Lange
Principalmente, ficou conhecida por documentar os impactos da Grande Depressão dos EUA, na década de 1930. Jornais de todo o país distribuíam gratuitamente suas imagens, que se tornaram fortemente representativas desse período.
Sua imagem mais conhecida é a Migrant Mother, de 1936, que retrata uma imigrante com três de seus sete filhos. Certamente, é um dos mais icônicos registros da história da fotografia. Muitos a consideram a imagem símbolo da Grande Depressão.
Lange escreveu em suas anotações: “estavam vivendo de vegetais congelados dos campos ao redor e de pássaros que as crianças matavam. Ela acabara de vender os pneus do carro para comprar comida“. Mas, você não precisa ler as anotações de Lange para sentir o desespero no rosto dessa mãe.
Você sabe que existem momentos como esses quando o tempo para…
Dorothea Lange
Imagens de cunho social
A War Relocation Autority (WRA) contratou a fotógrafa durante a Segunda Grande Guerra. Então, ela documentou a comunidade japonesa que vivia em campos de concentração na Califórnia durante um período de 3 anos. Suas imagens denunciaram o preconceito dos norte-americanos logo após o ataque a Pearl Harbor, com relação aos cidadãos americanos de origem japonesa.
Dorothea sempre se mostrou interessada em fotografar assuntos de cunho social e relacionados à pobreza e miséria. Suas fotografias mostram não apenas um olhar inflexível, mas também profundamente humanizador. O tema principal de suas fotos é o sofrimento dos agricultores, trabalhadores migrantes, comerciantes e outros que estiveram no fundo da sociedade americana.
Estou tentando aqui falar algo sobre os desprezados, derrotados e alienados. Sobre a morte e o desastre, sobre os feridos, aleijados, indefesos, sem raízes e deslocados. Sobre a finitude. Sobre a última vala.
Dorothea Lange
Esforçou-se ao máximo para incluir legendas detalhadas em suas fotografias ao longo de sua carreira, anotando fatos sobre as pessoas que apareciam em suas imagens. Ainda mais, achava importante esse registro contextual. No entanto, os jornais nem sempre publicavam suas fotos com as legendas, o que provocava nela muita raiva. Mesmo assim, entendeu que as fotografias podem falar uma poderosa linguagem visual própria.
Após receber muitos prêmios e participar de inúmeros outros projetos, Dorothea Lange faleceu em 1965, vítima de câncer no esôfago.
O mundo todo celebra cada vez mais sua obra.
A fotografia demora apenas um instante, alterando a vida e mantendo-a congelada.
Dorothea Lange
Fontes: Delirium Nerd, NPR e Blog eMania


