México: Chiapas
Pode parecer um destino meio exótico para um brasileiro, mas visitar Chiapas, no México, foi uma experiência maravilhosa.
A região de Chiapas ficou famosa nos anos 90 pela luta do Comandante Marcos e seus guerrilheiros zapatistas. A revolta iniciou como uma luta pelos direitos dos indígenas da região e logo descambou para uma violenta luta armada, que hoje apenas faz parte do passado. O Comandante Marcos sumiu sem deixar rastros, os zapatistas foram dizimados e os indígenas… bem, digamos que a vida deles melhorou um pouquinho.
Escaldados pelos problemas da guerrilha zapatista, e também devido ao tráfico de drogas, o exército mexicano mantém presença ostensiva em todas as cidades de Chiapas que passamos, principalmente perto da Hidroelétrica de Chicoasén.
Uma presença que nem sempre é bem-vinda, como demonstrou claramente um motorista que conheci.
Os zapatistas se foram, mas ainda têm muitos simpatizantes na região de Chiapas. Vimos muitos murais exaltando os zapatistas.
Quanto capitalista?
Mais que isso, jantamos, em San Cristóbal, em um restaurante de uma cooperativa zapatista financiada por ONGs europeias.
O restaurante não serve o refrigerante Coca Cola, por ser um símbolo capitalista, mas aceitam cartões de crédito Visa e MasterCard. Uma hilária contradição, concorda?
Depois de cantar uma série de músicas de protesto zapatistas, o cantor do restaurante passou o chapéu pela plateia.
Não aguentei e resolvi dar uma sacaneada. Puxei uma nota de 5 dólares e, quando ele chegou na nossa mesa, disse: “Infelizmente só tenho dólares, mas como vocês não aceitam nenhum símbolo capitalista… sinto muitíssimo!“… e enfiei os dólares de volta na carteira!
Precisavam ver a cara de bunda do cantor, sob risadaria geral do pessoal da mesa!
Invasões de terras em Chiapas
O problema indígena continua necessitando atenção do governo central. Pelo que soube, não é tão grave quanto em tempos passados, mas ainda é um fio desencapado pronto para dar curto!
A moda agora, entre os indígenas, são as invasões de terras.
Estimulados pelas versões mexicanas do MST, eles invadem áreas urbanas e rurais… e não tem quem os faça sair das áreas públicas ou privadas invadidas, mesmo que exista ordem de despejo.
Vimos muitas dessas áreas invadidas em Tuxtla e, principalmente, em San Cristóbal.
Em um país onde se respira os tempos de colônia espanhola, Tuxtla destoa por ser mais contemporânea. Por lá inexistem monumentos dos tempos coloniais. Tuxtla me surpreendeu pelo tamanho. Imaginava uma cidade bem menor, mas, com cerca de 1 milhão habitantes, concentra toda a economia da região, fortemente baseada na agricultura e criação de gado.
San Cristóbal de Las Casas, ao contrário, é colonial até a alma. Uma cidade lindíssima!
Lá vimos muito “bicho grilo” pelas ruas. Todos com cara de europeu consumidor de drogas, mas em momento algum presenciamos consumo.
Vistoria nas estradas
Por outro lado, não foram poucas as vezes que passamos ou paramos em postos de controle do Exército e da Polícia Federal no meio das estradas.
Eles são fortemente armados e buscam limitar a entrada de armas e drogas vindas da Guatemala. Mais de uma vez nosso ônibus foi parado e entrou um militar para fazer uma vistoria.
Gente, jamais vi vistoria mais porca que essas! Entravam, davam uma olhadinha burocrática, agradeciam a nossa paciência e desciam.
Como não viam ninguém portando uma metralhadora ou escopeta ou qualquer pacote identificado como “Droga Pura de Colômbia”, isso era sinal que não trazíamos armas ou drogas.
Ninguém teve qualquer curiosidade de olhar o bagageiro e se lá tivesse uma bazuca ou duas toneladas de cocaína, elas teriam passado sem problemas!
Acreditem, teve uma vez que o militar entrou e, assim que soube que éramos brasileiros, desceu!
Ou seja, o pessoal do Comando Vermelho tem acesso livre e seguro ao mercado mexicano.
Pano rápido!



