Retratos – Qual é o seu plano?!
Quando falamos anteriormente sobre Retratos (Retratos – Dicas Básicas), demos quatro dicas fundamentais para tirar sua imagem da mesmice.
Hoje falaremos dos diversos tipos de planos que são usados na fotografia de retratos e qual a melhor forma de usá-los.
Ouvi uma vez alguém dizer que “tirar fotos é editar o mundo”! Nada mais perfeito!
Imagem menino: A intenção de enquadrar a imagem do Che ao fundo me fez usar a orientação “paisagem”.
Com o seu olho você observa o mundo sem limites. Mas como fotógrafo você discrimina uma série de elementos. Assim, é você quem decide qual é o momento que quer registrar e quem escolhe o enquadramento desejado para o objeto principal da imagem. Assim também, é você quem decide quais são os limites que balizarão os quatro cantos de sua foto. Com tudo isso, podemos criar uma infinidade de mundos nesse pequenino espaço.
Orientação dos retratos: horizontal e vertical
Imagem mulher com charuto: A orientação vertical é a forma básica e mais normal em retratos.
Existem dois tipos básicos de orientação de fotos: horizontal e vertical. De uma forma geral, a orientação horizontal é a mais adequada para paisagens. Por outro lado, retratos ficam melhores com uma orientação vertical porque tanto o corpo humano como o rosto têm esse tipo de formato. Mas você vai ver nos exemplos apresentados aqui, que nem sempre isso é uma regra rígida a ser seguida!
Voltando ao tema deste post, podemos definir plano como a proporção e o espaço que o modelo vai ocupar na foto. Da mesma forma, determinamos qual parte dele veremos.
Planos mais abertos descrevem uma cena, enquanto planos mais fechados transmitem maior intimidade. O que você quer transmitir na sua foto é o que determina qual o plano mais adequado!
Plano Geral
Em retratos, o plano geral é aquele em que o corpo aparece por inteiro, dos pés à cabeça. Este é o mais distante de todos os planos que apresentaremos.
Imagem homem na escadaria: O corpo aparece por inteiro no plano geral. É usado para dar informação sobre o contexto da foto.
O plano geral não apenas é descritivo, mas também é usado para dar informações sobre o contexto onde está o seu modelo. Permite contemplar o modelo por inteiro, bem como observar aquilo que está ao seu redor.
Dependendo do tamanho do modelo em relação ao ambiente, serve também para dar proporção de tamanho entre ele e os demais objetos que o cercam. Ou para dar sentido de isolamento, colocando uma pequena figura humana numa vasta paisagem.
Aliás, esse é o tipo de foto “preferida” dos turistas em suas viagens: um vasto mar de informações cercando um minúsculo e impessoal personagem, cuja identidade mal pode ser reconhecida sem o uso de uma lente de aumento. Além desse erro comum, invariavelmente o pobre do modelo será colocado no meio da foto.
Imagem homem na cachoeira: Foto típica de turista. Assim sendo, a opção de mostrar toda a cachoeira faz com que o modelo esteja longe, pouco importante e irreconhecível.
“Mais perto! Mais perto!!!” sempre grito quando vejo situações como essa. Jamais se esqueça: seu modelo (pai, esposa, filho, amigo, amante ou tico-tico-no-fubá) é o elemento mais importante da foto e, por isso, precisa de destaque! Para isso é muito importante a expressividade do modelo e de seu corpo, uma vez que seu rosto não estará em destaque.
Plano Americano
Também conhecido como Plano Três Quartos, mostra o protagonista desde a cabeça até acima da altura do joelho ou até a coxa.
Imagem casal: O uso do plano americano mostrou todos os detalhes da fantasia do casal durante a festa de Halloween, em Salem (a cidade das bruxas), Massachussets, EUA.
Conta a lenda que a sua origem vem dos antigos filmes de faroeste americanos, por permitir um ótimo enquadramento dos revólveres usados pelos artistas.
Está totalmente centrado no modelo, podendo se distinguir seu rosto e também a posição de seu corpo. Por revelar expressões, mas não enfocar um assunto específico, é um ótimo enquadramento para mostrar pessoas interagindo.
Lembro a todos que o plano americano não é o mesmo “plano” (infelizmente) muito “usado” pelos fotógrafos mais inexperientes. Por quê? Porque eles insistem em amputar os pés de sua família, deixando dois metros de parede na parte de cima. Gente, PELAMORDEDEUS, plano americano não é isso!!!
Plano Médio
À medida que nos aproximamos, entramos em um maior nível de intimidade com o modelo fotografado. O enquadramento de plano médio é feito da cabeça até à cintura.
Imagem homem com caranguejos: No plano médio o corte é feito na cintura, como nesta foto de um catador de caranguejos no Delta do Parnaíba, Piauí.
A partir deste enquadramento deve-se tomar muito cuidado com a posição das mãos do modelo, para evitar que sejam cortadas. No caso de ser inevitável, tente tornar o corte o mais natural possível. Ou seja, sem que esse corte seja feito nas articulações.
Por realçar a beleza do corpo humano, é o enquadramento mais usado na fotografia de moda. Além do cuidado com os braços e mãos, dê especial atenção aos olhos.
Por se aproximar bastante do modelo a ser fotografado, esse é um plano que causa terror em todas as mulheres que conheço. “De perto NÃO”! Tenho certeza de que você também já ouviu isso diversas vezes.
Plano médio curto
Variante do plano médio, é também conhecido como plano de busto ou superior. Assim, este tipo de enquadramento mostra o corpo desde a cabeça até meio do peito. Nele o modelo capta toda a atenção do observador, uma vez que há pouca informação do fundo que, preferencialmente, deverá estar desfocado.
Imagem homem flautista: O plano médio curto é o que mais uso em minhas fotografias de retratos. Sobretudo, ele traz detalhes da “intimidade” do modelo.
É um enquadramento muito utilizado na fotografia de moda por também mostrar detalhes da roupa e seus acessórios na modelo.
Pela proximidade, muitas vezes será necessário cortar parte dos braços. Neste caso, jamais faça o corte nas articulações para evitar a sensação de mutilação.
Primeiro plano
Mostra desde a cabeça até os ombros do modelo sendo cortado pouco abaixo das axilas.
Aqui não é importante a pose do corpo, mas sim a expressão do rosto que será o grande protagonista da imagem. Devido a proximidade com o modelo, permite captar imagens muito expressivas. É um enquadramento de alto teor emocional por revelar o personagem e seus sentimentos, transmitidos pela expressão facial.
Imagem homem fumando: O primeiro plano dá ênfase na expressão do rosto, como nesta foto deste engraxate em Santiago, Chile.
Por serem fotos feitas com a lente “espetada no nariz” do modelo, é muito comum que uma pessoa, que não tenha o costume de ser fotografada, fique bastante inibida. Para buscar os melhores resultados, faça uma série de fotos e vá mostrando as imagens ao modelo, orientando-o na direção dos resultados esperados. Acima de tudo, converse bastante e busque o seu relaxamento. Se o seu modelo estiver “travado”, esqueça! Com toda a certeza, AQUELA foto jamais virá!
Primeiríssimo plano ou close-up
Este enquadramento aproxima-se um pouco mais do que o anterior. Ele ocupa toda a imagem, dando ênfase ao rosto do modelo. Captura desde a testa até pouco abaixo do queixo, com o foco feito nos seus olhos.
Imagem homem de perfil: A ênfase está totalmente no rosto do modelo no close-up, como nesta foto tirada durante as cerimônias da passagem do Ano Novo na Prainha, Brasília.
Este tipo de plano de retrato dá forte significado emocional à fotografia, apresentando nitidamente a expressão do rosto e projetando as características do personagem. Pode revelar pensamentos, assim como a intimidade interior de quem está sendo retratado, em uma máxima intensidade dramática.
Detalhe em fotografia de retratos
Este é o plano mais aproximado de todos, captando uma pequena parte do corpo, que não necessariamente precisa ser o rosto.
Certamente, tem uma alta capacidade expressiva, pois realça os detalhes. Enfoca um detalhe mínimo criando um sentido de mistério de forte impacto visual e emocional.
Imagem mãos de homem: A textura das mãos do Seu Alfredo, 99 anos, mostram uma vida de lutas e sofrimentos.
Busca a beleza em coisas simples como cores ou texturas.
Por hoje vamos ficando por aqui. Mas teoria não é nada sem prática.
Pegue sua câmera, deixe a preguiça de lado e vá tirar pelo menos 5 fotos de cada plano descrito neste post.
Até a próxima!



