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Silhuetas em fotografia

Silhuetas em fotografia

Nós fotógrafos enfrentamos enorme limitação. Nossas fotos não conseguem transmitir a enorme gama de brilhos que nossos olhos podem enxergar no mundo real. Essa limitação, no entanto, permite-nos mostrar aos admiradores de nossas fotos todo um mundo diverso que nossos olhos “não conseguem” enxergar. Silhuetas são excelentes exemplos e um recurso que usamos com muita frequência em fotografia.

Silhueta transforma os objetos em uma forma bidimensional abstrata, eliminando sua cor e textura. Essa é uma ferramenta poderosa para os momentos em que a forma de um objeto pode comunicar a sua ideia de maneira eficaz. Em uma silhueta bem-feita, o contorno da forma leva a mensagem.

Edu Moreira - Silhuetas
Por de sol em Brasília… em plena seca | Brasília/DF, Brasil | © Edu Moreira

De uma maneira geral, assim como nossos olhos parecem querer mergulhar nas áreas brilhantes de uma foto, eles também evitam entrar nos negros puros, “sem nenhuma informação”. Silhuetas são exemplos desses objetos “sem nenhuma informação”.

O preto sem nada das silhuetas parece empurrar o olho para as suas bordas, onde os nossos olhos tendem a percorrer ao seu redor, enfatizando a forma do objeto.

Forma, esta é a palavra chave para trabalharmos com silhuetas.

Edu Moreira - Silhuetas
Mulher Kamayurá lavando roupa no Rio Xingu | Parque Indígena do Xingu, Mato Grosso, Brasil | © Edu Moreira

A iluminação é importante para o contraste

Primeiramente, selecione uma forma ou desenho que seja interessante, atraente e bem identificável e que esteja em silhueta. Em segundo lugar, certifique-se de que o fundo seja bem mais brilhante que esse objeto. Na medida que silhueta é forma, siga sempre a seguinte máxima quando estiver lidando com iluminação: iluminação dianteira para enfatizar a cor, iluminação lateral para realçar a textura e iluminação traseira para dar destaque à forma.

Edu Moreira - Silhuetas
Pescador lançando rede | Armação dos Búzios, RJ, Brasil | © Edu Moreira

As situações mais prováveis vão envolver um assunto que esteja sendo iluminado por trás, seja pelo sol, pelo o céu ao fundo, por luzes de veículos ou algo semelhante. Configure a exposição da câmera para o fundo brilhante, como se o objeto da silhueta não existisse. Assim, o diafragma vai fechar e o objeto ficará tão escuro que vai se transformar em uma silhueta.

Edu Moreira - Silhuetas
Pôr de sol na Praia do Geribá | Armação dos Búzios, RJ, Brasil | © Edu Moreira

O mais importante que você deve obter é um alto contraste entre o fundo e o objeto a ser fotografado. O sensor de sua câmera é capaz de registrar uma diferença de mais de 7 pontos de abertura do mais brilhante ao mais escuro. Principalmente, é importante que o objeto esteja pelo menos três ou mais pontos mais escuro que o seu entorno.

Por outro lado, uma vez que as fotos podem “ver” de forma tão diferente que nossos olhos, é fácil que os dois objetos, que parecem estar bastante separados na visão do fotógrafo, se fundam quando a foto é feita, prejudicando a imagem. Existe o perigo de, acidentalmente, você remover (ou adicionar) alguma informação que realmente é necessária para que a imagem faça sentido.

Ênfase nos objetos das silhuetas

Edu Moreira - Islândia
Nascer do sol em Reynisdrangar, rochas de basalto ao longo do litoral de Vík | Islândia | © Edu Moreira

A tendência de agrupar imagens em silhueta em um único objeto pode ser tanto uma bênção e como uma maldição para os fotógrafos.

Lembre-se que a forma do objeto ilusório é o tema dominante da imagem. Geralmente, evitar que as silhuetas se unam torna a fotografia mais fácil de se “ler” e, a menos que a intenção seja outra, você não vai querer que sua foto tenha que ser analisada para saber o que é a silhueta.

Isso requer uma boa dose de atenção para a definição dos contornos da figura.

Edu Moreira - Silhuetas
Esperando a onda perfeita | Armação dos Búzios, RJ, Brasil | © Edu Moreira

Na foto acima, apesar de agrupado, o tema é fácil de ser entendido por haver um pouco de luz frontal. Mas é claro que o “fácil de compreender” nem sempre é o objetivo final do fotógrafo. Às vezes, é interessante tentar brincar com a fusão de objetos ao se trabalhar com silhuetas.

Mesmo quando as áreas escuras de uma imagem não são completamente negras, ainda assim elas não vão “atrair os olhos” de imediato quando a imagem é lida. Escurecer as partes menos interessantes de uma imagem, durante a pós-produção, pode ser uma estratégia eficaz para dar mais ênfase aos elementos de sua foto.

Edu Moreira - EUA - Canyons e Desertos
Via Láctea sobre Toroweap Overlook | Grand Canyon National Park, Arizona, EUA | © Edu Moreira

Dica final

Neste post a silhueta foi tratada como um efeito exclusivamente artístico. No entanto, existem muitas outras razões para usar o recurso da silhueta e uma delas é a de preservar o anonimato do objeto ou pessoa.

Edu Moreira - Noturnas
Tempestade de verão no Parque Nacional Everglades | Flórida, EUA | © Edu Moreira

Lembre-se também que a interação das áreas claras e escuras em uma imagem, bem como as linhas que as separam, constitui um dos temas básicos da boa composição fotográfica.

Boas fotos!

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