Tudo é Luz!!!
No princípio criou Deus o céu e a terra… e disse Deus: Haja luz, e houve luz! …
Não, este não é um post sobre o lado espiritual da fotografia. Quero falar de LUZ!
Qual é a primeira coisa que você percebe quando vê seu filho?! Uma pessoa querida, concorda?! Isso é mais que perfeito quando você atua como pai, mas quando o assunto é fotografia, lidaremos com LUZ.
De fato, luz é o elemento básico de qualquer fotografia. A palavra fotografia deriva das palavras gregas: photos (luz) e graphos (escrita). Em uma tradução bem simplificada, fotografar significaria “escrever (ou desenhar) com a luz”! Em fotografia, TUDO É LUZ, razão do título deste post. Sem ela, inexiste fotografia. Se você se trancar em um local hermeticamente fechado, montar sua câmera em um tripé e disparar, não importa o tempo de exposição. Seja em minutos, horas ou anos, nada sairá em sua foto além de um breu profundo!
Uma vez que a luz não irá se adaptar ao fotógrafo, somos nós que temos que nos adaptar à ela. Para isso, precisamos aprender a educar nossos olhos para ler e entender a que está disponível. Só assim poderemos explorar toda a potencialidade que o momento nos oferece.
Na imagem acima, a cobertura das árvores de uma floresta oferece uma luz difusa e pouco intensa. A longa exposição da foto registra o movimento da água como uma seda que reveste as rochas.
Há muito sobre este assunto. Aqui, abordaremos rapidamente quatro características da luz: qualidade, direção, intensidade e temperatura.
Qualidade da luz
A qualidade da luz pode ser “dura” ou “macia”. Dura é aquela que produz sombras bem definidas, com alto contraste entre as áreas iluminadas e aquelas sombreadas. De uma maneira geral, quanto menor for o tamanho da fonte de luz, mais definida ela será sobre o objeto da foto. O mesmo vale quanto mais próxima a fonte estiver do objeto. Podemos encontrar bons exemplos dessa qualidade no início da manhã, próximo do pôr do sol ou naquela que penetra por uma janela.
Na imagem acima, a névoa da manhã torna a luz difusa, fazendo com que as árvores não fiquem bem definidas. Assim, a direção em contraluz dá um aspecto sombrio à foto.
Luz macia, por sua vez, é a luz difusa, que produz pouca ou nenhuma sombra. Aqui, quanto maior for a fonte de luz e/ou quanto mais distante ela estiver do objeto da foto, mais suave será a luz. Um dia nublado é um excelente exemplo de luz macia.
Direção
A luz igualmente pode afetar enormemente uma fotografia, dependendo da direção em que ela incide sobre o assunto principal da foto. Basicamente, a direção pode ser frontal, lateral, superior, inferior e em contraluz. Quando fotografo pessoas em meu trabalho de campo, gosto muito de explorar a luz natural que vem de uma porta ou janela. Dessa forma, posiciono a pessoa de forma a ser iluminada lateralmente. O resultado é fantástico.
Fiz a imagem acima na Comunidade de Riacho de Areia (Rio Pardo de Minas/MG). Ali, a luz lateral “dura” que vem da porta da casa ressalta a textura das rugas do rosto de Dona Martiliana.
Intensidade
A intensidade diz respeito à quantidade de luz existente no ambiente. É óbvio que, se estivermos fotografando em ambiente externo, teremos mais claridade do que aquela disponível no interior de uma casa ou se fotografarmos uma rua à noite. Tanto quanto, a diferença de resultados visuais é igualmente fácil de perceber.
Capturei esta imagem acima logo após o pôr do sol em Manarola, na Itália. Os fotógrafos chamam esse momento de blue hour. A intensidade da luz é muito pequena, exigindo o uso de tripé para a longa exposição da foto.
Temperatura da luz
Para finalizar, certamente você já notou que a luz de uma lâmpada fluorescente é mais branco-azulada do que uma lâmpada incandescente, claramente amarelada. Da mesma forma, objetos iluminados por uma vela ou fogueira ganham tonalidades avermelhadas. Cada fonte de luz tem uma temperatura diferente, que você muitas vezes precisa corrigir através de uma função da câmera chamada de “balanço de branco”. Isso evita que objetos e pessoas tenham, na foto, uma cor que não seja natural.
Na imagem acima, a luz avermelhada e dura do início da manhã ressalta a coloração da areia e o formato das dunas do deserto do Saara.
Temos muito mais a falar sobre a luz, suas características e como elas afetam a fotografia. Certamente voltaremos a conversar sobre esse assunto em breve em outros posts.
Acima de tudo, é importante que você saiba de uma coisa. O conhecimento e o bom uso dessas características da luz podem fazer a grande diferença entre uma foto comum e uma foto marcante.
Até a próxima!


