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Ainda não decolou!! [Chile: dias 1 a 4]

Nossa viagem ao Chile ainda não “decolou”. Tá interessante, mas sem nenhum UAU!!!

Edu Moreira - Casa de Neruda - Chile
Casa de Neruda | © Edu Moreira

Dia 1: Isla Negra e vinícola Casas del Bosque

No primeiro dia visitamos a casa de Pablo Neruda em Isla Negra. Na verdade, é um conjunto de casas. Tinha uma casa principal e umas outras cinco ou seis de apoio que hoje servem de museu do bando de quinquilharias que ele colecionava. Aliás, ele adorava colecionar objetos: garrafas, estátuas de proa de navios, barquinhos dentro de garrafa, conchas e mais um bando de coisas!

Se hoje Isla Negra fica no meio do nada, dá para imaginar o isolamento dessa casa em 1937? Não tinha uma única alma viva num raio de uns 5 km… nem pescador, pois a vila mais próxima era mais ou menos a essa distância.

Como todo artista, era um cara mucho doido?! Tal como o Obelix, o Neruda deve ter caído em um pote de maconha estragada ao nascer.

Edu Moreira - Ainda não decolou!!
Almoço de degustação na vinícola Casas del Bosque | © Garçon do restaurante da vinícola

Em seguida, fomos visitar a vinícola Casas del Bosque. Sei lá quantas vinícolas já visitei, mas cada visita aborda um enfoque diferente. Mais uma vez valeu a pena. Começamos pelo almoço no restaurante da vinícola, onde provamos um menu degustação… devidamente harmonizado e regado a QUATRO taças de vinho. Gente, uma comida simplesmente maravilhosa!!!

Saímos do almoço já meio baleados e fomos para um passeio guiado pela vinícola. E como essa estória termina? Na sala de degustação da vinícola, provamos mais cinco (eu disse CINCO!!!) diferentes tipos de vinho, cada qual melhor que o outro.

A essa altura do campeonato já era umas cinco da tarde, e ainda faltava visitar Valparaíso e Viña del Mar. Era óbvio que não ia dar tempo! Carregando um teor alcoólico suficiente para estourar qualquer bafômetro, jogamos a toalha e voltamos para Santiago.

Dia 2: Santiago

No segundo dia o passeio foi por Santiago. Bacana, mas nada de encher os olhos. Tirei várias fotos e as melhores foram de pessoas, nos diversos parques da cidade.

Edu Moreira - Ainda não decolou!! - Iglesia de San Francisco - Chile
Iglesia de San Francisco, Santiago, Chile | © Edu Moreira

A primeira foto é da Igreja de San Francisco, construída em 1575. O problema é que da igreja original pouco resta. É tanto terremoto no Chile que nada muito antigo fica de pé por muito tempo. Seja como for, é uma bela igreja colonial. Aliás, é o prédio mais antigo que visitamos.

Edu Moreira - Ainda não decolou!!
Calle Londres, Santiago, Chile | © Edu Moreira

A segunda foto é da Calle Londres. Toda a região ao redor da Igreja de San Francisco é de prédios antigos. Essa região pertencia originalmente à igreja que, no início do século XX e por problemas financeiros, acabou vendendo a particulares.

Se a viagem não decolou, fotografo!

Edu Moreira - Engraxate - Chile
Engraxate, Santiago, Chile | © Edu Moreira

A terceira foto é de um engraxate de rua. O sofrimento da vida enrugou esse rosto indígena, e achei que ficaria excelente em uma foto. A luz, misturada com sombras, dava um efeito especial. Então, me aproximei e pedi para fotografar. Ele ficou ali olhando para o nada, com um cigarro entre os dedos. Falei para ele agir naturalmente e fumar se quisesse. Acho que o cigarro naquela mão enrugada, suja de graxa de sapato, ficou excelente! Adorei essa foto!!

Edu Moreira - Parque Florestal - Chile
Soneca no Parque Florestal, Santiago, Chile | © Edu Moreira

Fiz a quarta foto no Parque Florestal, um enorme parque no meio de Santiago, repleto de jovens que vão para lá namorar. É claro que também tem gente dormindo na grama e nos bancos. Esse velhinho me tocou de emoção. Estava sozinho no parque, lendo algo, e caiu no sono. Tirei essa foto com uma baita de uma tele de 300 mm e usei a maior abertura possível para desfocar o fundo. Para mim, essa foto representa a fragilidade e o abandono dos idosos.

Dia 3: San José del Maipo

Assim, acabamos fazendo nesse dia o passeio previsto para dois dias. Ganhamos um dia para reajustarmos no resto da viagem. A propósito, comer no Mercado Central, ao contrário do de Montevidéu, mostrou ser uma baita duma engambelação para turista. A comida era cara e feita para batalhão. Risque o restaurante Donde Augusto de sua lista!

No terceiro dia bem que eu queria ir a Valparaíso e Viña del Mar, mas tínhamos um jantar marcado com um amigo meu que mora no Chile. Por isso, optamos por irmos até o sopé da cordilheira em San José del Maipo.

Bem, fomos até onde a estrada pavimentada acabava. Vimos um longo e belo cânion, mas nada de montanha nevada ou de vistas espetaculares. De espetacular mesmo foi o almoço em um belo restaurante de beira de estrada, o Casa Bosque, que mais parece a casa do conto de João e Maria.

Comi um delicioso cordeiro ao molho de vinho carmenère, e a Mary um salmão com molho de camarões. De sobremesa, tivemos uma ligação telefônica do Rodrigo dizendo que o terceiro netinho estava a caminho. Para um cara mole pra chorar, confesso que foi um caminhão e meio de emoção.

Pra finalizar o dia, tivemos um belo e sofisticado jantar na casa do meu amigo.

Dia 4: rumo ao sul

Hoje seguimos para o sul e foi mais um dia de baita decepção. Ao contrário do que o livro sobre o Chile dizia, pode riscar Talca da sua lista de visitas turísticas. Depois de muita chuva no lombo, terminamos o dia em Chillán. A cidade não tem nada! E na sexta-feira santa então o NADA está fechado!!!

Por fim, amanhã visitaremos as Termas de Chillán e o Volcán Chillán. Tomara que a coisa melhore!

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