Glossário: Analógico x Digital
Neste post iniciamos mais uma nova série dentro do tópico Técnicas de Fotografia: Glossário!
Como tantas outras atividades, a fotografia tem o seu jargão próprio. Dominar esse palavreado é importante. Não para ser esnobe, mas para podermos não apenas comunicar com adequação com outros entusiastas da fotografia, mas para também entendermos com precisão o que está na farta literatura existente.
Tenho certeza de que você concorda que não é adequado chamar o disparador de “aquele botãozinho que a gente aperta para fotografar”! Além disso, basta falar em fotografia que esbarraremos, como você vai perceber neste post, em diversos termos técnicos. Um termo leva a outro, que leva a outro, que leva…
Aprender e dominar o jargão da fotografia não é uma tarefa difícil e será crucial se você desejar dar alguns passos nesse hobby tão fascinante.
Um pouco de história
Vamos começar com aquilo que foi a linha divisória mais importante na história da fotografia: a diferença entre fotografia analógica e fotografia digital.
Fotografia analógica é aquela onde a imagem é gravada em um meio físico como, por exemplo, filmes. Por mais de um século a fotografia analógica reinou inquestionável, até que, por volta de 1975, um engenheiro da Kodak criou a primeira câmera que podia captar imagens através de sensores e armazená-las em um meio digital.
A Kodak, naquela época, dominava o mercado analógico. Apesar de ter sido pioneira, não deu a menor pelota para a tecnologia que iria decretar a falência de sua poderosa indústria! Não percebeu que o futuro estava na fotografia digital.
Como toda tecnologia iniciante, ela começou incipiente e com baixa qualidade. Por volta de 2004 comprei uma câmera Sony Mavica. A resolução do sensor era de 0,3 megapixels, armazenava as fotos em disquete e eu achava aquilo uma maravilha! Tolinho, eu! Não, não era nem de longe algo minimamente de qualidade!!!
Naquela época os entusiastas da fotografia analógica afirmavam categoricamente que a qualidade da fotografia digital jamais seria superada pela fotografia digital. Isso era verdade… naquela época… mas foi verdade por pouco tempo.
Apenas como comparação, enquanto uma foto tirada com o excelente filme Kodachrome 64 tem uma resolução ao redor de 10 megapixels, a câmera de um celular atual (2018) como o Samsung S9 produz fotos com resolução de 12 megapixels.
Hoje, em 2027, um Samsung A27 tem 50 mega pixels de resolução em sua câmera principal!
Isso nos leva a três novos termos …
Sensor, resolução e megapixels
O sensor de imagem é um dispositivo eletrônico que age como a retina dos olhos. Capta a luminosidade das imagens que são projetadas sobre ele, transformando a informação em valores numéricos e gravando essas informações em um meio magnético.
Existem basicamente duas tecnologias de sensores de imagem: CCD (charge-coupled device) e CMOS (complementary metal-oxide semiconductor). Apesar da tecnologia CCD ser superior à CMOS em termos de qualidade, ela é muito cara e com menor possibilidade de miniaturização. Por isso a maioria absoluta das câmeras atuais, inclusive dos celulares, usa sensores CMOS.
Os sensores são formados por minúsculos componentes que capturam e integram cada ponto de uma imagem. Cada um desses componentes se chama pixel, uma abreviatura do inglês picture element. Quanto mais pixels o sensor tiver, melhor será a qualidade da imagem capturada, aumentando a sua fidelidade em relação à imagem real.
Em outras palavras, quanto maior a resolução de um sensor, melhor a qualidade da imagem. É claro que a resolução do sensor não é o único fator que determina a qualidade de uma imagem, mas no presente momento, vamos assumir isso como verdade.
O valor da resolução é o resultado da multiplicação da quantidade de pixels horizontais pelo número de pixels verticais. Minha Canon 5D Mark III tem 5760×3840, o que dá 22,3 megapixels. Ou seja, a resolução de minha câmera é de 22,3 milhões de pixels. Mais de duas vezes melhor que a de uma foto analógica e… mais de 74 vezes melhor que a minha “maravilhosa” Mavica!!!
De modo geral, quanto maior a resolução maior será o tamanho máximo de suas impressões, sem que haja perda de qualidade.
Tipos de sensores de imagem
Existem dois tipos de sensores: full frame e sensores cropados (do inglês cropped sensors ou sensores cortados).
Os sensores full frame, como o termo em inglês bem define, captam toda a imagem. Algo equivalente ao filme analógico de 35mm. No entanto, são maiores, mais caros e voltados para um tipo de fotografia que a maioria dos usuários não irá necessitar.
Provavelmente você tem usado uma câmera com sensor cropado e nem percebeu qualquer diferença.
Um sensor cropado desempenha as mesmíssimas funções, mas ocupando um espaço menor. Além disso, tem um custo mais adequado e com uma perda de qualidade apenas ligeiramente inferior, muitas vezes imperceptível para o fotógrafo iniciante.
Simplificando, enquanto um sensor full frame capta toda a imagem acima, um sensor cropado registrará apenas o que está dentro do retângulo vermelho, da ilustração acima.
Antes que sua cabeça dê um nó com novas palavras, ficamos por aqui. Logo logo publicarei um novo post, desta vez falando da terminologia que envolve as câmeras.
Até a próxima!



