Paisagens – Dicas Básicas
Já comentei em outros posts que se realmente quer tirar belas fotos, você precisa desaprender a maneira como você vê o mundo. Precisa aprender a ver o mundo como a sua câmera vê. E ela altera a percepção da realidade de várias maneiras.
Perceba que nossos olhos funcionam em conjunto com o nosso cérebro. Nossa visão é tridimensional e funciona em “modo” vídeo!
Por outro lado, uma fotografia é uma imagem estática, bidimensional, que retrata um momento que já passou. Mais que isso, ao fotografarmos, congelamos uma parcela da realidade e podemos mostrar algo que os olhos da maioria das pessoas não conseguiram captar.
Na imagem acima, a linha sinuosa do rio direciona nosso olhar para as montanhas.
Muitas vezes nos decepcionamos com nossas fotos de paisagem e pensamos: “nossa, isso não é nem sombra da beleza que vi“.
Ao fazer uma foto de paisagem, esqueça o que seus olhos estão vendo. Lembre-se que fotografia é uma ilusão de óptica. Solte sua criatividade e mostre ao mundo o que sua alma está vendo naquele momento. Mostre a sua visão da realidade.
Para tanto você vai mesclar diferentes elementos da “linguagem fotográfica”, que vimos recentemente no post Elementos da Linguagem Fotográfica.
Na foto acima podemos ver o uso de duas regras de composição: a Regra dos Terços e linhas de guia.
Aprenda as regras de composição
Uma bela fotografia de paisagem se sustenta, na maioria das vezes, em fortes elementos de composição da imagem.
Composição é uma das coisas mais difíceis de dominar em fotografia. Simplesmente porque é algo subjetivo e não há certo ou errado absolutos no seu uso. No entanto, estar familiarizado com as regras de composição ajudará muito sua tomada de decisão.
Aprendi, ao longo do tempo, que é absolutamente necessário “visualizarmos” em nossa mente a imagem final da foto. E para isso precisamos “ler” a imagem que está diante dos nossos olhos.
Na imagem acima, as diversas linhas levam a um ponto desconhecido perto do horizonte, no meio do deserto.
Ponto de partida
Procure descobrir qual é o elemento que mais chama a sua atenção na imagem? Uma cachoeira?! As montanhas ao fundo?! Um píer de madeira?! O reflexo em um lago?! Se o seu olhar é atraído por ele, é provável que ele sirva como um bom ponto de partida para a composição da sua foto.
A partir daí, veja qual seria a melhor maneira de dar destaque a esse importante elemento. Como fazer para que os nossos olhos sejam levados naturalmente a esses elementos?!
Uma cachoeira pode ser enfatizada com o uso da Regra dos Terços. As montanhas ao fundo podem ser destacadas com o uso de linhas de guia. Um píer pode ganhar destaque com o uso de simetria. O reflexo em um lago pode ser enfatizado deslocando o horizonte para o terço superior da imagem.
Um bom exemplo de quebra de regras está na imagem acima: a caravana, colocada quase no limite inferior da foto, se contrapõe com a vastidão do deserto.
Regras de composição são importantes, mas não fique obcecado com elas. Apesar de muita gente considerar as regras como clichê, seria tolice ignorá-las. Se você não estiver familiarizado com essas regras, como saber exatamente como e quando você deve quebrá-las?
Busque um foco perfeito
Foco e desfoque são importantes elementos na composição fotográfica. Foco está relacionado com a nitidez dos pontos mais importantes de nossa foto.
Sobretudo, uma foto de paisagem trabalha com diversos elementos desde o primeiro plano até o plano de fundo. Todos devem estar perfeitamente focados.
Além da imagem acima estar rigorosamente em foco, temos aqui dois outros fortes elementos da linguagem fotográfica: o uso de cores análogas e da linha sinuosa, guiando o nosso olhar.
Muitos fotógrafos iniciantes deixam a câmera decidir onde focar na cena. É um grande erro!Por quê?! Porque invariavelmente ela vai tomar decisões erradas, principalmente se você tiver um importante elemento em primeiro plano. De duas uma: ou esse elemento vai ficar fora de foco, ou os elementos que estão no plano de fundo ficarão desfocados.
Profundidade de campo é a área da imagem que se encontra em foco aceitável. Ela é afetada por três variáveis: abertura do diafragma, distância do objeto a ser focado e distância focal da lente usada.
A composição com horizonte baixo dá ênfase a todo o restante da foto acima, esse belíssimo pôr-do-sol. No entanto, a cereja do bolo são as silhuetas das duas girafas, quebrando a uniformidade visual do horizonte.
Ou seja, quanto maior for a distância do objeto a ser focado, quanto menor for a abertura do diafragma e quanto menor for a distância focal da lente usada (grande angular), maior será a profundidade de campo. Voltaremos a esse tópico em outro post.
Assim, se queremos que nossas fotos de paisagem encham os olhos com uma nitidez fantástica, teremos que esquecer os controles automáticos e trabalharmos manualmente com a câmera.
Não chacoalhe
Não adianta focar corretamente e deixarmos a câmera tremer. A imagem não vai ficar nítida nem com reza braba!
O simples uso de um tripé ajuda bastante na busca da nitidez, mas não significa que você não pode tirar fotos maravilhosas sem tripé. Claro que pode! Mas cuidado com o motionblur.
O motionblur não é nenhum bicho-papão, mas pode devorar a nitidez de sua foto. Numa tradução bem chinfrim, ele pode ser entendido como “desfoque de movimento”.
No caso da foto acima, o efeito motionblur insere a sensação de movimento da água nesta foto. Quando é usado conscientemente, pode ser um elemento poderoso na imagem.
Mas quando a velocidade do obturador é muito baixa, o simples clicar no botão pode mexer com a câmera e fazer tudo ficar fora de foco. Foi o que aconteceu na foto abaixo, parte de um trabalho fotográfico que estou desenvolvendo.
Observando o detalhe da foto acima, o motionblur foi involuntário, arruinando com a nitidez.
A quantidade de luz no ambiente estava baixa, mas a luz lateral dava um efeito muito bonito no rosto da senhora. Não percebi que a velocidade estava MUITO baixa (1/10seg) para o tipo de lente que usava (35mm). A velocidade deveria ser, pelo menos, 1/35seg e acabei confiando excessivamente na minha mão firme. Dancei!!! TODAS as seis fotos que fiz ficaram tremidas e tive que descartar um lindo registro. Apesar de algumas pessoas considerarem a foto maior aceitável, quando se analisa em detalhe percebe-se o quão tremida está. Morrendo de raiva de mim mesmo, todas as seis foram pro lixo!
Menos é mais
Temos a tendência natural de querermos colocar todos os elementos de uma paisagem em uma mesma imagem. O resultado é frequentemente desastroso, com imagens excessivamente complexas ou poluídas de informações.
Geralmente as melhores imagens de paisagem são simples, com poucos elementos visuais. Lembre-se sempre de que menos é, geralmente, mais. Isso não significa que eu esteja preconizando a adoção de um visual minimalista.
Observe a simplicidade visual da foto acima feita na Toscana. Há apenas três elementos: o céu, o campo de trigo e o grupo de árvores. Os pinheiros, alinhados com a linha do horizonte, quebram a uniformidade do campo de trigo.
Simplifique as cenas sempre que possível, optando por refinar uma composição ou enfatizar um ponto de interesse específico.
Muito temos a falar sobre paisagem. Voltaremos em breve a este fascinante tema.
Boas fotos!



