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Tudo tem seu tempo

Tudo tem seu tempo

Afinal, tudo tem seu tempo na fotografia e tudo começa com três ajustes básicos: ISO, a abertura do diafragma e a velocidade do obturador. Essa interação entre os três ajustes é conhecida como o Triângulo de Exposição.

Todos esses ajustes são igualmente importantes para a linguagem fotográfica, uma vez que cada um deles afeta diferentemente o resultado da imagem.

Edu Moreira - Islândia
Stjórnarfoss é uma cachoeira pequena – mas muito cênica – formada no Rio Stjórn | Kirkjubaejarklaustur, Islândia | © Edu Moreira

Além disso, nenhum desses ajustes é necessariamente mais correto que os outros. A escolha certa depende do impacto visual ou da mensagem que você deseja registrar na imagem, para que ela se destaque entre as demais.

Edu Moreira - Noturnas
Tempestade de verão no Parque Nacional Everglades | Flórida, EUA | © Edu Moreira

Já conversamos várias vezes sobre como o nosso olho vê o mundo de forma diferente das câmeras fotográficas. O olho é um “instrumento” cuja perfeição jamais será igualada por uma câmera, não importa quais sejam os avanços tecnológicos. E sabe por quê?! Porque o olho funciona juntamente com o cérebro, porque ele é tridimensional e porque funciona em “modo” vídeo!

É no explorar dessas diferenças que se encontra a magia da fotografia.

Uma foto é um momento do passado. Ao registrar um momento, você pode congelar a realidade e revelar algo que que os olhos não veem. Também, pode tapear o cérebro dando a ele a ilusão do movimento ou o sentimento da velocidade. Pode, ainda, aglutinar segundos ou minutos em uma única foto mostrando uma imagem que nossos olhos jamais conseguiriam ver.

Edu Moreira - Patagônia - Argentina
Riscos de estrelas no céu a caminho de Laguna de los Tres, lago que fica aos pés do Monte Fitz Roy | Patagônia, El Chaltén, Santa Cruz, Argentina | © Edu Moreira

Tudo tem seu tempo para as velocidades rápidas do obturador

Por isso, escolher a velocidade ideal do obturador não é um processo fácil. Raramente existe uma única velocidade correta, mas certos cenários podem se beneficiar com determinadas escolhas – e há um tempo para cada uma delas.

A velocidade rápida do obturador é a mais fácil de trabalhar. Trabalhar com velocidades rápidas não requer um tripé e você pode fotografar com muita facilidade os objetos em movimento. Essa é, também, a opção mais comum para os fotógrafos iniciantes, na medida em que a maioria das funções automáticas escolhe uma velocidade relativamente rápida do obturador.

Fotografia animais é um exemplo típico de uso de velocidades rápidas. Os animais estão em movimento na maior parte do tempo e velocidades mais baixas certamente gerarão imagens borradas. Na foto abaixo, usei uma velocidade de obturador de 1/640 seg.

Edu Moreira - Tanzânia
Pelicanos no Lago Manyara | Arusha, Tanzânia | © Edu Moreira

Outro exemplo do uso de altas velocidades acontece quando a intenção é congelar um momento, algo comum na fotografia de esportes.

Edu Moreira - Tudo tem seu tempo
Os surfistas pegam as ondas do canto direito da praia de Geribá | Armação dos Búzios, Rio de Janeiro, Brasil | © Edu Moreira

Movimento e vibração: quando a câmera também se mexe

Objetos de movimento rápido, como ondas se chocando com rochas, também pedem velocidades altas de obturador. Nessa foto, na praia de Jökulsárlón, na Islândia, usei velocidade 1/400 para congelar o movimento das ondas e dos blocos de gelo.

Edu Moreira - Islândia
Praia vulcânica de Jökulsárlón | Islândia | © Edu Moreira

Quando você está em movimento, independente se o objeto está parado ou não, igualmente requer o uso de velocidades altas. Na foto abaixo eu estava em um avião monomotor que trepidava tudo o que tinha direito. Resultado: velocidade 1/1000 seg, para assegurar que a foto não ficasse tremida.

Edu Moreira - Tudo tem seu tempo
Vista aérea do Cristo Redentor com o Pão de Açúcar ao fundo | Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil | © Edu Moreira

A foto abaixo é semelhante à anterior. Voava de ultraleve, com o motor chacoalhando bem às minhas costas e… com um agravante: pouca luz para velocidades altas. A luz diminuía gradativamente com o final da tarde e resolvi arriscar usando uma velocidade mais baixa do que seria adequado para a situação: 1/400 seg. Felizmente deu certo!

Edu Moreira - Tudo tem seu tempo
Vista aérea de cidade de Brasília ao pôr do sol | Distrito Federal | © Edu Moreira

Teleobjetivas e outras situações especiais

Mas existem ainda outras situações em que os objetos não estão necessariamente em movimento, mas exigem velocidades mais altas. Uma situação típica é o uso de teleobjetivas sem tripé.

Tirei a foto abaixo na Prainha, em Brasília, durante as cerimônias religiosas de culto africano na passagem de ano. Por respeito aos fiéis, optei por registrar os momentos de longe, com uma teleobjetiva de 400mm, bastante pesada e pouco luminosa. Por isso, subi a sensibilidade para ISO 1600 e a velocidade para 1/1600 seg, para não ter perigo de tremer!

Edu Moreira - Tudo tem seu tempo
Fiel participa da cerimônia religiosa de Ano Novo na Prainha, praia artificial do Lago Paranoá | Brasília, Distrito Federal | © Edu Moreira

Neste post, vimos como o uso de velocidades rápidas do obturador afeta as imagens. Em breve, falaremos sobre o uso de baixas velocidades.

Agora, levante os fundilhos da cadeira, pegue sua câmera (ou celular) e vá para a rua praticar!

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