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Luz e Sombras

No post Tudo é Luz, falamos que a luz é tudo na fotografia. Para fotografar de forma adequada, é importante aprender a “ler” a luz.

A luz tem quatro características básicas: qualidade, direção, intensidade e temperatura. Certamente, cada uma delas afeta nossa fotografia.

O problema surge quando encontramos situações de forte contraste entre luzes e sombras: aí enfrentamos grandes desafios.

Edu Moreira - Luzes e sombras na fotografia
Catira, dança e música tradicional da região de Sobrado | Rio Pardo de Minas, Minas Gerais, Brasil | © Edu Moreira

Por muito tempo, me dediquei quase que exclusivamente a fotos de paisagens. Por essa razão, não sou nenhum expert no uso do flash. Mesmo quando fotografo pessoas, sinto-me muito mais confortável explorando a luz que existe no ambiente.

Isso significa, muitas vezes, lidar com dois problemas: pouca luz e muitas sombras.

As sombras podem ser um baita pesadelo para quem não sabe trabalhar com elas. Mas elas também podem acrescentar uma incrível dose de dramaticidade à sua foto. Elas podem ser o elemento diferencial que sua foto tem em relação às demais.

Edu Moreira - Marrocos
Degraus | Chefchaouen, Marrocos | © Edu Moreira

Luzes, sombras e a lição do Ayrton Senna

Antes de falar de sombras, vamos a uma breve historinha. Todos sabemos que o Ayrton Senna era o “mago” das pistas molhadas. Ele era virtualmente imbatível quando começava a chover.

O que talvez você não saiba, é que esse “dom” foi fruto de aprendizado e de muita ralação. Tudo começou quando ele perdeu uma corrida, ainda bem jovem, correndo de kart numa pista molhada. Extremamente competitivo, o jovem Senna jurou a si mesmo que nunca mais perderia uma corrida naquelas condições adversas. Assim, sempre que chovia, enquanto os demais pilotos buscavam o conforto seco do box, o Ayrton entrava na pista molhada para treinar, treinar e treinar. O resultado desse aprendizado todos conhecemos. Vitórias, vitórias e mais vitórias sob chuva!

Sugiro que você faça o mesmo com quaisquer das situações adversas que enfrentamos na fotografia como, por exemplo, aprender a “dominar” as sombras.

Edu Moreira - Luzes e sombras na fotografia
Convento San Domingo de Guzman | San Cristóbal de las Casas, Chiapas, México | © Edu Moreira

Imagine que você entra em um ambiente com pouca luz natural, como a pequena capela da foto abaixo, em Havana, Cuba. Os fiéis estão em prece e recebem no rosto a luz que vem de fora. É uma oportunidade única para uma foto fantástica e… PUFFF!!! Você dispara a câmera e o flash ilumina a cena numa explosão de luz!!!

Além de arruinar toda a dramaticidade da cena, você ainda corre um sério risco. Algum fiel mais exaltado exaltado pode fazer você engolir a câmera… com o flash junto, é óbvio!

Tá rindo? Eu sei que você não teria coragem de cometer uma heresia a ponto de ser excomungado pelo Papa. Mas há ambientes onde o uso do flash é proibido. E há outros onde a mágica está exatamente em captar a dramaticidade das luzes e sombras existentes.

Fotometria e configurações para pouca luz

Edu Moreira - Cuba
Fiéis rezam na Iglesia del Espiritu Santo | Havana, Cuba | © Edu Moreira

Primeira dica: faça uma boa fotometria! Eu costumo medir a luz no centro da parte mais iluminada do objeto a ser fotografado.

Lembre-se sempre que pouca luz é sinônimo de baixas velocidades de obturador. E que isso, muitas vezes, resulta em fotos tremidas. Aqui temos uma equação de difícil solução: qual é a melhor configuração de câmera que devemos usar?!

Edu Moreira - Luzes e sombras na fotografia
Beja, Alentejo, Portugal | © Edu Moreira

Nessas situações, o uso de um tripé ajuda MUITO, pois podemos trabalhar com sensibilidades baixas (com pouco ruído na foto), uma abertura mais alta (aumentando a profundidade de campo) e uma velocidade bem baixa (a menos que o objeto a ser fotografado esteja em movimento, borrando a sua imagem).

Mas, e se a oportunidade surgiu e… o tripé está beeeeem longe?!! Aí, meu caro, o jeito é subir a sensibilidade para o máximo que a sua câmera aguenta — tente algo entre ISO 800 e 2400 —, sem gerar ruídos facilmente visíveis. O segundo passo é abrir o diafragma o máximo possível — tente f. 5.6 ou f. 8 — para que o tema esteja todo em foco.

Edu Moreira - Luzes e sombras na fotografia
A Capela dos Ossos está situada na Igreja de São Francisco | Évora, Alentejo, Portugal | © Edu Moreira

Velocidade mínima e dicas finais para fotos nítidas

Falamos em baixas velocidades de obturador e fica a pergunta: qual é a menor velocidade para fotografar sem tremer?! Bem, isso depende muito da experiência do fotógrafo. Como regra geral, use a distância focal da lente como a velocidade mínima. Ou seja, lente em 100mm? Velocidade mínima de 1/100 segundos. Lente em 25mm? Velocidade mínima de 1/25 segundos. Dá para fotografar em velocidades um pouco mais baixas sem tremer, mas o risco aumenta sensivelmente.

Uma dica interessante para situações de baixa velocidade é configurar a câmera para disparo contínuo e sentar o dedo no obturador. Tire 3, 5, 10 fotos seguidas sem parar. Certamente, uma delas estará melhor que as outras.

Edu Moreira - Marrocos
Artesão | Chefchaouen, Marrocos | © Edu Moreira

Mais uma dica: antes de tirar a foto, grude os braços no seu corpo e prenda a respiração até completar a foto. Não se preocupe, você não morrerá asfixiado. No máximo ganhará uma leve coloração azulada!

Mal arranhamos o tema e, no próximo post, falaremos mais desse fascinante mundo de luzes e sombras.

Enquanto isso, pegue a câmera — ou o celular — e vá para a rua clicar.

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