Acelerando a realidade
No post Tudo tem seu tempo, falamos do uso de velocidades rápidas do obturador e como elas afetam as imagens. Hoje falaremos exatamente do oposto, do uso de velocidades lentas do obturador. Comprimiremos o tempo e aceleraremos a realidade.
Embora, na maioria dos casos, a gente não perceba uma grande diferença entre uma foto tirada com 1/320 de segundo e uma outra a 1/640 de segundo, fotos de longa exposição podem apresentar diferenças dramáticas dependendo da velocidade do obturador.
Mas, como poderíamos definir longa exposição? Alguns autores definem longa exposição como a velocidade do obturador onde você não pode mais capturar uma imagem com nitidez sem o uso do tripé.
Obviamente, além da sua experiência, isso vai depender da velocidade do obturador da câmera e da distância focal da lente. Certamente, teleobjetivas necessitam de velocidades mais rápidas que grandes angulares.
Aqui, para efeitos de definição, vamos estabelecer que baixas velocidades estão abaixo de 1/30 de segundo e o uso do tripé será obrigatório.
Velocidades lentas em ambientes com água
Por exemplo, quando diminuímos a velocidade em uma fotografia em que aparece o mar, o movimento das ondas passa a ficar borrado, dando uma bonita aparência “aveludada” à imagem, sem perder a textura das ondulações. Na foto acima, em Bahia Honda, Flórida, usei uma velocidade de 0,3 segundos.
O mesmo se aplica a rios e cachoeiras. Na foto acima, tirada no Sol Duc Trail, no Olympic National Park, usei uma velocidade de 6 segundos que deu um efeito sedoso à queda d’água.
No entanto, o musgo da foto acima não se mexe com o vento. Usar uma velocidade dessas onde existem folhas ao vento seria um convite ao desastre. Ficaria tudo borrado. Para evitar esse problema, usei uma velocidade de 0,4 segundos na foto acima, tirada em Vermont.
Fotografias de fontes podem igualmente usar dos benefícios dessa técnica, como nesta foto da Fontaine dês Mers, em Paris.
O problema é que nem sempre vamos conseguir fazer os ajustes a ponto de conseguir os efeitos desejados. Se existe muita luz no ambiente, você pode baixar a sensibilidade para o mínimo, fechar o diafragma o quanto puder e nem assim vamos conseguir uma velocidade de, digamos, 1 segundo. Aí você fica com cara de pastel olhando para os 1/100 segundos que a fotometria está lhe oferecendo!
Uso do filtro ND
Solução? Usar um filtro ND (Neutral Density), uma espécie de óculos escuros para lentes. Na foto acima, tirada na cachoeira de Oxararfoss, na Islândia, usei um filtro ND 6 para conseguir chegar à velocidade desejada de 1 segundo.
Ah, você não tem filtro ND?! Então, paciência! Enfie a viola no saco, mude de técnica, suba a velocidade do obturador lá pra cima e vá tentar congelar o movimento da água da cachoeira!
Fotografando aurora boreal
Pode ser que fotografar aurora boreal ainda não esteja entre suas pretensões, mas aqui vamos misturar baixa luminosidade, dificuldade de focagem e um evento que pode estar se movimentando loucamente acima da sua cabeça.
Independente da beleza do espetáculo que a natureza está te apresentando, o segredo aqui é usar a maior velocidade possível de forma a preservar a textura da aurora boreal. Isso significa aumentar a sensibilidade para o máximo possível e abrir o diafragma, para conseguirmos uma velocidade alta o suficiente para que registre o evento, mas que não borre a imagem.
Na foto acima, tirada em Abisko, Suécia, subi o ISO para 1250, abri o diafragma para f. 2,8 e consegui uma velocidade de 5 segundos, registrando toda a textura da aurora boreal.
Neste post vimos imagens tiradas com velocidades de até 6 segundos. No próximo post vamos botar o pé no freio e vamos trabalhar com velocidades ultra lentas, como na foto acima, onde o obturador ficou aberto por longos 30 minutos.
Até a próxima!



